Histeroscopia

histeros (útero)
skopia (olhar com atenção)
 

 

 

A idéia de visualizar as pequenas e escuras cavidades do corpo humano é muito antiga. A primeira inspeção endoscópica foi realizada em 1805, por um médico chamado Philip Bozzini. Utilizando um tubo oco e a luz de uma vela refletida, ele conseguiu olhar, ainda que precariamente, o interior da vagina, uretra e reto. Na época, esse pioneirismo também lhe valeu uma censura pública da Faculdade de Medicina de Viena, por "curiosidade indevida".


Desde então, inúmeros autores foram propondo novas técnicas, aparelhos e instrumentos para o diagnóstico e tratamento das doenças do interior do útero e outros órgãos humanos, como o estômago. A histeroscopia é o exame endoscópico realizado para para detecção de alterações na cavidade uterina, como pólipos, miomas, cicatrizes etc.


Utiliza-se uma fina ótica que é introduzida através do colo uterino e que leva luz ao seu interior, bem como um gás (gás carbônico) para distendê-la. A essa ótica acopla-se uma microcâmera, que leva a imagem até um monitor de TV, permitindo visualizar-se o interior do útero com uma nitidez magnífica. A este recurso, dá-se o nome de vídeo-histeroscopia.

 

Uma das grandes vantagens deste método é que o diagnóstico é realizado em regime ambulatorial. A paciente faz o exame (que dura de 5 a 10 minutos) no consultório. Se quiser, pode, inclusive acompanhá-lo no monitor de TV. Pouco tempo depois, sai andando normalmente. Até então, os diagnósticos eram feitos, precariamente, através de curetagem uterina, que exigia internação hospitalar e anestesia.


As indicações para vídeo-histeroscopia diagnóstica abrangem todas as doenças e eventos relacionados à cavidade uterina, sendo as principais:
 
  a. sangramento uterino anormal de qualquer espécie

b. infertilidade

c. suspeita de restos de placenta dentro do útero após abortamento, curetagem ou parto

d. sangramento pós-menopausa

e. desaparecimento do fio do DIU

f. alterações à ultrassonografia ou histerossalpingografia
 

Uma vez identificada a patologia, o tratamento também poderá ser feito pela via endoscópica. A vídeo-histeroscopia operatória permite que a cirurgia seja feita através do colo do útero, sem necessidade de qualquer incisão no abdômen. Apesar de ser realizada da mesma forma que a vídeo-histeroscopia diagnóstica, a vídeo-histeroscopia operatória exige internação e anestesia peridural, pois os instrumentos utilizados são mais calibrosos. Mesmo assim, o método reduz significativamente o risco de infecção hospitalar e o tempo de recuperação da paciente.

As principais indicações da vídeo-histeroscopia operatória são:
 
  a. Cirurgias de miomas e pólipos de até 5 cm.

b. Retirada de sinéquias (cicatrizes) ou de septos (alteração congênita)

c. Ablação do endométrio (alternativa à histerectomia) para diminuição de hemorragias



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