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Perto do 14º dia, ele
tem cerca de 2 cm de diâmetro e, a partir da liberação
em maior quantidade de um outro hormônio chamado LH
(Hormônio Luteinizante - também produzido pela
hipófise), ocorre a ruptura do folículo, com liberação
do óvulo que deve ser captado pela trompa. Aliás, esse
fenômeno pode ser acompanhado de uma sensação de peso e,
às vezes, até de uma dor intensa no baixo ventre, a
chamada "dor do meio" ou "dor ovulatória". Vale lembrar
que, nos dias anteriores à ovulação, a vagina da mulher
fica mais úmida, surgindo uma secreção igual à clara de
ovo. Não raro, também pode ser percebido um pequeno
sangramento no dia da ovulação. A partir daí, começa a
segunda fase do ciclo, que termina com a menstruação
seguinte.
Neste período, que vai do 14º ao 28º dia, novas
alterações acontecem. A primeira, e uma das mais
importantes, é a formação, horas depois da ovulação, de
um novo cisto (amarelado) no mesmo local que o anterior,
que é o chamado cisto de corpo lúteo (palavra derivada
do latim, que significa amarelo), responsável pela
produção da progesterona. E sabem o que ela faz? Caso a
mulher engravide, é ela que "alimenta" o ovo (garantindo
sua sobrevivência), até que ele se implante no útero e a
placenta assuma esse papel. Se não engravidar, ela será
a grande responsável pelos sinais e sintomas que
aparecem na Síndrome da Tensão Pré-menstrual. Felizmente
não são todas as mulheres que sofrem disso.
Algumas características são interessantes neste tipo de
cisto: a primeira é que, muitas vezes, existe um
sangramento dentro dele, fazendo com que contenha até
pequenos coágulos. A segunda, é que seu diâmetro médio é
maior que o do cisto folicular (ao redor de 3,5 cm, mas
podendo chegar a 6 - 7 cm). Ora, em uma eventual
avaliação ultrassonográfica no período pré-menstrual,
mesmo que não exista qualquer sintoma, esse fato será
motivo de muita apreensão! O interessante é que, via de
regra, eles desaparecem com a menstruação seguinte. Esse
é o motivo que nos leva a dizer que as mulheres devem
evitar fazer esse tipo de exame fora do período
compreendido entre o 6º e o 10º dia do ciclo, a menos
que exista um motivo bem específico para isso!
Agora, vale lembrar uma outra coisa: sempre que a mulher
ovula, e caso não engravide, ela necessariamente
menstrua. Entretanto, o inverso não é verdadeiro: o fato
de existir menstruação não garante que tenha havido
ovulação! Aliás, por mais regulares que sejam os ciclos
de uma mulher, em 1 ano ela deixa de ovular pelo menos 2
ou 3 vezes. Acontece que houve todo o estímulo para que
isso ocorresse, ou seja, houve crescimento do folículo,
sem ter havido rotura do mesmo. Nesse caso, há
reabsorção do líquido que foi sendo acumulado nos
primeiros 14 dias, só que não totalmente. O fim desse
processo é a formação de uma "mini-bexiginha" conhecida
como microcisto! É, você pode ter certeza: quase TODAS
as mulheres têm microcistos e, portanto, eles são
encontrados em quase todas as ultrassonografias.
Efetivamente, somente em poucas situações é que isso
pode ser um problema.
Ah, em tempo: não se esqueça de que, apesar de todas
essas informações, você não deve deixar de ouvir a
opinião de seu médico, que certamente saberá orientá-la
sobre alguma alteração em seu exame ultrassonográfico.
Bem, vimos neste texto alguns aspectos dos cistos que
são absolutamente normais. O próximo é sobre os cistos
anormais, que devem receber mais atenção por parte das
pessoas que os possuem, bem como de nós, médicos.
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Marco Antonio Lenci |
Reginaldo Guedes
Coelho Lopes |
Cistos Anormais
dos Ovários
No artigo anterior
foram abordados os cistos fisiológicos dos ovários, ou
seja, os que naturalmente surgem e desaparecem durante o
“mês menstrual”. Entretanto, alguns outros merecem
especial atenção pois sua presença significa
anormalidade.
Se você for portadora de um cisto considerado anormal é
interessante saber duas coisas: a primeira é que o têrmo
“tumor” deve ser entendido como uma palavra técnica que
designa qualquer crescimento anômalo, não
necessariamente associado a câncer. A segunda é que
compreenda onde é que se enquadra o seu cisto, quais os
tipos que existem e por quê devem ser acompanhados de
perto e tratados. Para melhor compreensão, serão
abordados separadamente.
Ovários policísticos - como já foi visto, um número
enorme de mulheres têm microcistos, sem que isso seja um
problema. Entretanto, caso esse número ultrapasse o
considerado fisiológico, há um aumento global no tamanho
dos ovários e concomitantemente uma maior dificuldade no
processo de ovulação, com formação de mais microcistos.
Vemos que acaba de se formar um ciclo vicioso e como
consequência prática há variações hormonais que, por sua
vez, determinam alterações físicas, como por exemplo:
acne, aumento de pêlos, ganho de peso (ou dificuldade na
perda) e irregularidades menstruais (ciclos mais longos
e até ausência de menstruação). Em alguns casos, também
pode haver infertilidade. A esse conjunto de alterações
dá-se o nome de Síndrome dos Ovários Policísticos, que
pode se apresentar em vários estágios de gravidade.
Cisto dermóide (ou teratoma) - é um tipo muito
particular de cisto e um dos tumores benignos mais
freqüentes. Ele surge a partir do desenvolvimento de
células que restaram da fase embrionária da menina e que
subitamente começam a se multiplicar. É como se elas
acordassem de um longo período de hibernação, o que
ocorre em torno da 2a – 4a década de vida. Ainda não se
descobriu por quê, nem como isso acontece. Sabe-se,
entretanto, que ele abriga vários tipos de estruturas
como pêlos, tecido gorduroso, dente, pedaços de ossos e
cartilagem. Como geralmente cresce na intimidade do
ovário há, obrigatoriamente, uma distensão do mesmo.
Ora, se isso não for bloqueado, o ovário acaba virando a
própria “cobertura” do cisto, o que faz com que ele,
enquanto órgão, praticamente desapareça! Além disso, o
teratoma freqüentemente é bilateral e sua malignização
ocorre em mais de 10% dos casos.
Endometrioma: é um cisto cujo conteúdo é formado por um
líquido semelhante a chocolate derretido. É decorrente
de uma doença chamada endometriose, na qual o tecido que
reveste a parte interna do útero (e que é eliminado a
cada menstruação), encontra-se localizado fora dele,
neste caso, no ovário. Como o tecido endometrial é
estimulado a se desenvolver através do hormônio feminino
(estrógeno), o crescimento desse tipo de cisto tende a
ocorrer mês após mês, podendo chegar, da mesma forma
como acontece com o teratoma, a fazer com que o ovário
praticamente desapareça, passando a existir somente o
cisto.
Cistoadenoma: relativamente freqüente, é um cisto
benigno que geralmente produz muito líquido e, muitas
vezes, com um crescimento relativamente rápido, podendo
chegar a ter 20-30 centímetros em poucos meses! Por este
motivo, deve ser diagnosticado e tratado com certa
brevidade.
Na maioria das vezes os cistos de ovário são
“silenciosos”, ou seja, não dão nenhum tipo de sintoma
ou sinal. Entretanto, algumas coisas podem sugerir sua
presença:
*Sensação de peso, inchaço ou dor no baixo ventre (em um ou ambos os
lados).
*Aumento do volume abdominal.
*Dor durante a relação sexual.
*Aumento de pêlos no rosto ou em qualquer outra parte do corpo
(geralmente em locais em que habitualmente só os homens
têm).
*Dor aguda, severa, febre e/ou vômitos - quando relacionados com cisto de
ovário, podem sinalizar a presença de hemorragia ou
torção do órgão.
O diagnóstico pode ser feito com o exame físico, quando
o médico avalia o tamanho dos ovários e/ou através da
ultrassonografia. O último recurso utilizado para sua
confirmação é a videolaparoscopia.
Finalmente há alguns aspectos a serem considerados, e
que determinarão o tipo de tratamento:
*Tamanho e tipo do cisto (são fatores determinantes na terapêutica).
*Idade da mulher (se a mesma está em idade reprodutiva ou na menopausa).
*Desejo de engravidar.
*Estado geral de saúde.
*Severidade dos sintomas.
Ao contrário do que acontece com os cistos fisiológicos,
os acima relacionados não desaparecem e, portanto,
requerem um tratamento específico, como é o caso dos
microcistos, que muitas vezes regridem com medicação
antroposófica, homeopática ou hormonal (pílula
anticoncepcional). Já, o teratoma, o endometrioma e os
cistoadenomas só podem ser tratados cirurgicamente e,
sempre que possível, a via de acesso preferida é a
endoscópica (videolaparoscopia). Quando diagnosticados
precocemente, estes cistos não chegam a crescer a ponto
de comprometer totalmente o ovário que, por ser um órgão
de extrema importância, pode E DEVE ser conservado.
Desta forma, será feita exclusivamente a retirada do
cisto, preservando-se o tecido ovariano normal.
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Marco Antonio Lenci |
Reginaldo Guedes
Coelho Lopes |
Tensão Pré-Menstrual
ESSA
TPM !!!!!!!!!!!!
Quantas mulheres não
sofrem com a tal de TPM? O quê? Você não tem? Ah, mas
talvez sua mãe, irmã, vizinha ou amiga tenham! Alguém
deve ter! E você, meu caro, não será uma vítima de sua
namorada, esposa e quem sabe até da chefe no trabalho?
Pois é! O fato é que, de alguma forma, quase ninguém
escapa dela!! E quantos desentendimentos, discussões,
brigas e outras coisas desagradáveis já não terão
acontecido em sua vida? Tudo por causa dela! As mudanças
são tantas e tão expressivas que TODOS (homens e
mulheres) são afetados por ela! Então, meu caro, preste
atenção pois vamos falar com e para as mulheres! Quem
sabe, você encontre alguma luz pra ajudar quem o vitima
tanto: a TPM delas, claro!
A TPM (Síndrome de Tensão Pré-Menstrual) é um conjunto
de sinais e sintomas (até hoje foram descritos mais de
150) que podem aparecer de 2 a 15 dias antes da
menstruação e que provocam transformações significativas
(tanto físicas quanto emocionais) em, aproximadamente,
70% das mulheres. Este número pode ser até maior, na
medida em que muitas, por terem sintomas leves, não a
identificam. A TPM foi descrita pela primeira vez em
1931 por um autor de nome Franke e, ao contrário do que
se possa pensar, até hoje não há uma explicação
satisfatória para seu aparecimento. A grande maioria das
mulheres apresenta alterações leves, ou seja, tem os
sintomas mínimos da TPM: ganho de peso (por retenção de
líquido), inchaço e dor mamária, inquietude e
instabilidade emocional. Outras manifestações incluem:
desconforto abdominal (sensação de barriga inchada),
dores de cabeça, calores no rosto, fadiga, alterações do
sono e no hábito alimentar, diminuição da produtividade,
redução da libido, depressão e ansiedade. Eles podem
aparecer em combinações diversas, mas tendem a se manter
constantes em cada pessoa, variando somente de
intensidade a cada mês.
Paralelamente, um número menor de mulheres apresenta
essas manifestações em graus bem mais intensos, havendo
expressivas mudanças em seu físico, na sua rotina e,
principalmente, em suas relações pessoais, tais como:
alterações na balança (aumento de até 3 kg no peso),
irritabilidade, raiva ou tristeza inexplicáveis, crises
de choro, aumento do apetite (algumas têm desejo
compulsivo de comer chocolate e/ou doces). Ainda, do
ponto de vista comportamental, pode haver brigas no
trânsito, no trabalho, na faculdade, espancamento de
filhos, surras no marido e discussões com os vizinhos
(apenas porque o papagaio deles fala demais!). Algumas,
que estão com TPM, podem até estar xingando o médico que
escreve este artigo! Suicídios e homicídios também
aumentam nessa época. Para que se tenha uma idéia da
importância que se dá à TPM, em alguns Estados
americanos, as penas por crimes podem ser atenuadas,
caso os mesmos tenham sido cometidos nesse período!
Portanto, é prudente evitar decidir sobre coisas muito
importantes, bem como tomar decisões "definitivas" e/ou
radicais nessa época: pode ser que depois venha o
arrependimento! O que intriga é saber que tudo isso
passa, como se nada tivesse acontecido, com a simples
vinda da menstruação! Isso tudo acontece por alterações
bioquímicas no cérebro e não depende simplesmente da
vontade das mulheres ter ou não ter TPM. A Medicina
ainda tem que descobrir muita coisa a respeito dela.
Bem, mas e o tratamento??? Inicialmente deve existir um
ótimo relacionamento com seu ginecologista, pois é ele
quem poderá tentar ajudá-la encontrar formas de atenuar
a TPM através de uma boa conversa e do esclarecimento de
alguns pontos que a atormentam. Além disso, a adoção de
algumas medidas a que chamamos de higieno-dietéticas são
sugeridas: diminuição na ingestão de alimentos muito
salgados para atenuação da retenção hídrica, bem como de
doces. Também deve-se evitar a ingestão de de chá, café
e bebidas à base de cola pois, nesses três grupos, há
substâncias chamadas de metilxantinas (cafeína,
teobromina e teofilina) que são comprovadamente
excitantes. Atividades físicas sistemáticas, como
ginástica aeróbica, natação, yoga, flamenco, dança do
ventre e outras podem ser de grande valia.
Há, ainda, uma série de medicamentos, que poderão ser
prescritos e que irão ajudá-la bastante! Os mais inócuos
e que têm apresentado ótimos resultados são os
homeopáticos. Caso não sejam os preferidos do seu
ginecologista, ele poderá lançar mão de medicamentos
alopáticos (os da medicina tradicional), que também
apresentam bons resultados.
Por fim, gostariamos de deixar uma lembrança: uma das
coisas mais importantes em relação a quem tem TPM é
aceitar que ela existe! Dificilmente uma mulher que não
admite que tem consegue livrar-se dela, ou atenuá-la!
Além disso, essa aceitação facilita a compreensão por
parte das pessoas com quem se relaciona, o que pode
torná-las mais tolerantes. Para você que não tem, mas
que convive com quem tem, saiba que TPM EXISTE SIM! É
muito difícil passar por isso todos os meses e,
particularmente as que têm alterações emocionais mais
violentas não conseguem, muitas vezes, mesmo com toda
consciência do mundo, controlar-se! Portanto, é de
extrema importância que possamos considerar que
"naqueles dias" a mulher seja vista com outros olhos,
com muito mais compreensão, com muito mais carinho! O
quê, você não é capaz? É sim, tente! É claro que nem
sempre vai conseguir, mas certamente se sentirá bem em
saber que, pelo menos, tentou!
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Marco Antonio Lenci |
Reginaldo Guedes
Coelho Lopes |
Cólica Menstrual (Dismenorréia)
Aááááí
que cólica!!!!
Pôxa, como isso é ruim! Tenho mesmo que aguentar
tudo de novo? Parece que, nem mal termina uma
menstruação e... já começa outra!
Sim, essa é a sensação que muitas mulheres têm,
principalmente quando, depois de passado quase um mês,
desponta a ameaça de uma nova série de cólicas,
anunciada pelos sintomas que antecedem a chegada de
outra menstruação. Para POUCAS é motivo, até, de um
charminho a mais. Porém, para a maioria que sente, a
coisa pode pegar pesado mesmo! Como dizia vovó:
"Felizes, são as que menstruam sem qualquer sintoma, com
um discreto desconforto ou, no máximo, com uma
coliquinha!"
Em linguagem médica, essa dor é chamada de dismenorréia,
palavra derivada do grego, que significa "dificuldade no
escoamento do fluxo menstrual". Atinge cerca de 50% das
mulheres, das quais, no mínimo, 10% permanecem
incapacitadas por alguns dias, a cada novo ciclo. Um
dado que ilustra esses números foi proporcionado, em
1978, por dois autores, Ylikorkala e Dawood, quando
publicaram que, somente nos Estados Unidos, eram
perdidas, por ano, mais de 140 milhões de horas de
trabalho, exclusivamente em função desse tipo de cólica.
De acordo com estatísticas médicas atuais, a cólica
acomete aproximadamente 42 milhões de americanas, sendo
a maior responsável pelas ausências, tanto na escola
quanto no trabalho.
Antigamente, por não se identificar uma causa física que
justificasse a dor, havia uma tendência a não se
considerar a cólica menstrual como algo que exigisse um
tratamento específico. Mesmo as mulheres que
apresentavam sintomas decorrentes das dores, tais como
náuseas, vômitos, mal-estar e tonturas, eram
aconselhadas a resignar-se, pois não havia nada a ser
feito, exceto manter repouso, colocar uma bolsa de água
quente na barriga e tomar um "remedinho". Talvez por ser
muito freqüente, por não matar, e até por ser "coisa de
mulher" (pasmem!), ainda hoje, há quem ache que as
mulheres exageram! Algumas são até consideradas
neuróticas por terem dores mais intensas.
Entretanto, a visão correta está a anos-luz de
distância! Não se pode aceitar como normal algo que
determina um permanente incômodo na alma de tantas
mulheres, pois, em muitos casos, o medo da dor as
persegue durante quase todo o tempo! Além disso, as
pessoas que com elas convivem também terminam sofrendo,
seja pela tristeza que sentem vendo-as se contorcer de
dor, seja pela impotência em lidar com o medo que não as
abandona! Isso tudo culmina, freqüentemente, com a
deterioração da qualidade de vida pessoal, familiar e
conjugal de muitas pessoas. Porém, para a felicidade de
todos, estamos nos distanciando, cada vez mais, destes
conceitos arcaicos e desumanos!
Classicamente, a dismenorréia é classificada em primária
e secundária. A primeira habitualmente surge entre 6 e
12 meses depois da menarca (primeira menstruação), sem
que exista uma doença específica que a justifique. A
cólica aparece algumas horas antes ou coincide com a
menstruação. Localiza-se no baixo-ventre, podendo
irradiar-se para a região do osso sacro e face interna
das coxas. Costuma ser mais intensa no primeiro dia, tem
duração de, no máximo, 48 a 72 horas e origina-se pela
presença de substâncias chamadas prostaglandinas
(potentes estimulantes da contração uterina) que existem
em grande quantidade nas células que são eliminadas no
fluxo menstrual. Isso explica sua regressão lenta, porém
contínua, na medida em que a menstruação vai terminando!
Por outro lado, a dismenorréia secundária começa mais
tarde, no mínimo após 2 anos de fluxos indolores. Na
verdade, ela é decorrente de alguma doença pélvica
específica (nem sempre de fácil diagnóstico) e tende a
apresentar um caráter de piora progressiva. Além de
poder surgir alguns dias antes, durante ou depois da
menstruação, as localizações são variadas, restritas ao
baixo-ventre, muitas vezes com irradiação para as
costas. Entre as possíveis doenças que podem determinar
o surgimento da dismenorréia secundária, a endometriose
é, em nosso tempo, a mais importante. Você poderá
encontra mais explicações a respeito dela acessando o
site
http://www.endometriose.com.br
Muito bem,
mas será que dá para acabar logo com essa dor? Deu até
para entender um pouco, mas o importante mesmo é o
tratamento, não é? Afinal de contas, ninguém quer ter
cólica todos os meses, certo??? Assim sendo,
continuemos!
Como tudo em medicina, o sucesso da terapêutica depende
de um correto diagnóstico. Portanto, ofereça, SEMPRE, o
máximo de informações a seu médico! Não tenha vergonha e
anote em um papel algumas características da dor, tais
como: quando surgiu, localização, duração, pontos de
irradiação, fatores de melhora ou piora, sintomas que
acompanham e medicamentos que já utilizou. Aliás, isso
vale para qualquer tipo de dor, em todas as fases da
vida!
Procure manter, continuamente, alguma atividade física
que lhe ajude a refinar sua consciência corporal!
Sabe-se que a sensação de dor é potencializada quando a
pessoa adota uma atitude corporal incorreta, ou seja,
quando se contrai. Portanto, tente relaxar fazendo
repouso, se possível, numa banheira! Se não tiver,
utilize uma bolsa de água quente! Manter o calor ajuda a
relaxar qualquer tipo de musculatura, não é? A do útero
responde da mesma forma! A partir daí, é possível
entender o fato de que, para algumas mulheres, a dor
pode piorar caso estejam com os pés e/ou pernas frios! E
agora, que tal uma xícara de chá quente (erva doce,
camomila, etc)? Caso essas medidas não sejam
suficientes, o uso de medicamentos naturais poderá
ajudá-la a resolver o problema, particularmente se a
dismenorréia for primária. Se, mesmo depois de tudo
isso, você não tiver se livrado "dela", seu médico
poderá lhe sugerir um dos inúmeros recursos
medicamentosos disponíveis na medicina alopática.
Por fim, gostaria de deixar uma sugestão: não aceite,
placidamente, que cólica menstrual é "coisa de mulher",
devendo ser suportada até a menopausa! Lembre-se que,
além de existir a possibilidade de uma doença (por
exemplo, a endometriose) não estar sendo diagnosticada,
mais tarde, seguramente, você se questionará se não
poderia ter tido uma qualidade de vida melhor!
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Marco Antonio Lenci |
Reginaldo Guedes
Coelho Lopes |
Auto-Exame de Mama
Eu tenho peito!!!!
Olá! Estamos aqui novamente para conversar mais um
pouco com você. Neste artigo, vamos aderir à campanha de
combate ao câncer de mama, e falar um pouco sobre o
auto-exame, ainda um monstro na vida de muitas mulheres.
Inicialmente, devemos deixar bem claro que o câncer de
mama TEM CURA! E tem mesmo, desde que seja diagnosticado
precocemente! Mas, então, qual será a maior dificuldade
que os médicos encontram para fazer o tal do...
diagnóstico precoce? Não tenham dúvidas de que são a
desinformação e, acima de tudo, o medo, certamente o
maior responsável pelo diagnóstico tardio desta doença.
Não existe, ainda hoje, uma forma efetiva de se
prevenir, ao contrário do que acontece com o colo do
útero, a doença maligna da mama. Entretanto, a
descoberta de um nódulo maligno em fase inicial
significa uma chance de, no mínimo, 90% de cura, com
preservação da mama. Portanto, a coisa mais importante a
ser abordada neste texto é o problema do medo que as
mulheres têm de se auto-examinar! Às vezes, fico
espantado com a atitude de algumas que, ao serem
incentivadas a aprendê-lo e mesmo sabendo que as mamas
estão absolutamente normais, adotam uma expressão de
aflição misturada com repulsa, negando-se a fazê-lo!
Isso mostra o quanto é difícil mudar essa "herança
cultural". Para que se tenha uma idéia, nos países do
Primeiro Mundo, apenas 20% dos tumores chegam a 5 cm, ao
passo que em nosso país, essa cifra chega a 70%, o que é
verdadeiramente um absurdo! Um dado curioso é que essa
dificuldade não tem relação com o nível
sócio-econômico-cultural da mulher.
Importante lembrar que o fato de ter um antecedente
familiar próximo de câncer de mama aumenta um pouco as
chances mas, EM HIPÓTESE ALGUMA, condena a mulher a
tê-lo um dia! Portanto, caso você faça parte do enorme
contingente de mulheres que têm esse bloqueio, sugiro
que tente se examinar! Procure conhecer como é sua mama!
Faça uma "fotografia mental" de sua arquitetura, de sua
textura. Peça a seu médico que a ensine a realizá-lo! É
muito fácil! Não tem mistério, basta você querer!
Então... vamos à prática! Em primeiro lugar, saiba que
você não deve se aventurar a executar o auto-exame em
períodos pré-menstruais. Nessa época, na maioria das
vezes, há uma retenção de líquido no tecido mamário, que
muitas vezes dará a sensação de que você tem algum(s)
nódulo(s). O momento mais adequado é entre o 7º e o 10º
dia após o início da menstruação e o ideal é que você se
habitue a fazê-lo mensalmente. Uma outra coisa
interessante é fazer a palpação sempre com os olhos
fechados: isso facilita muito que você se concentre mais
naquilo que está tentando sentir.
 |
Um
hábito bastante saudável é examinar as mamas
durante o banho pois, com o sabonete, fica mais
fácil deslizar as mãos espalmadas sobre a pele,
tornando mais simples a detecção de alterações,
mesmo que mínimas. A pressão exercida deve ser
pequena, já que isso permite que você tenha mais
sensibilidade nas mãos. Lembrar que, ao fazer
qualquer palpação mamária, a mão a ser utilizada
é sempre a do lado oposto à mama que está sendo
examinada! |
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Após o banho, fique de frente para um espelho,
com o tronco descoberto. Você vai olhar
atentamente e talvez perceber que suas mamas
podem ser um pouco assimétricas, uma vez que
isso é muito comum. Inclusive, em muitas
mulheres, uma é um pouco maior que a outra. Em
seguida, procure áreas mais inchadas ou
retraídas, saliências e alteração na pele bem
como nos mamilos. Proceda desta forma com os
braços caídos e elevados. |
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Depois disso, deite-se, coloque um travesseiro
sob o ombro esquerdo, ponha a mão esquerda acima
da cabeça e, com a mão direita espalmada e os
dedos esticados, examine sua mama esquerda. Os
movimentos devem ser circulares, indo da
periferia para o mamilo. Repita todos os passos
(ao contrário) para examinar a mama direita. |
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Finalmente, faça uma pressão suave no mamilo com
os dedos polegar e indicador. Se houver saída de
1 ou 2 gotas de líquido branco ou transparente,
você não deve ficar preocupada, uma vez que isso
é considerado normal. Entretanto, se a
quantidade de secreção for superior a isso, ou
for escura, seu médico deve ser informado
prontamente.
Vamos lá!!! Tente!!! |
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Marco Antonio Lenci |
Reginaldo Guedes
Coelho Lopes |
Colaboração: Sociedade Brasileira de Mastologia
HPV - Um vírus
que preocupa!!!
Por ser, atualmente, uma das doenças mais freqüentes
nos consultórios de ginecologia, resolvemos escrever
sobre esta virose que está tirando o sono de muita
gente, inclusive o dos ginecologistas. É possível que
você já tenha lido algo a respeito, mas nunca faz mal
recordarmos de coisas importantes, certo?
HPV significa papilomavírus humano. Ele pertence ao
grupo dos Papovavírus, que são os responsáveis pelo
aparecimento das verrugas de uma forma geral, em
especial daquelas que vemos nas mãos de algumas
crianças. Os estudos sobre os papilomavírus foram muito
aprofundados nestas duas últimas décadas e até agora
foram descritos mais de 75 subtipos, cada um com uma
denominação diferente, feita através de números. É como
se fosse uma família com setenta e tantos filhos.
Sabemos que apesar de poderem ter tido a mesmíssima
educação, numa família tão grande os irmãos acabam tendo
personalidades diferentes: uns são mais agressivos,
outros mais delicados, etc. Pois é, com os HPVs acontece
o mesmo: existe uma diferença de comportamento entre
eles, uma diferença na agressividade às células, o que,
em síntese, determina sua maior ou menor importância. Em
função disso optou-se por classificá-los em 3 grupos: os
de Baixo, Médio e Alto Risco.
Acometendo cerca de 20 a 30% da população sexualmente
ativa (e esses números são alarmantes), os papilomavírus
podem se apresentar sob 3 formas de infecção:
|
1. |
Latente: os vírus ficam alojados nas células
durante muitos anos, sem causar qualquer
manifestação clínica. Nesses casos não é
possível identificar sua presença nos exames de
rotina, podendo-se detectá-los somente com
testes específicos, através da pesquisa do seu
DNA. |
|
2. |
Subclínica: é o tipo mais freqüente de infecção.
Existem minúsculas lesões (microcondilomas ou
placas brancas), difíceis de serem vistas nos
exames a olho nu. São visualizadas somente com o
auxílio de lupas. |
|
3. |
Infecção clínica: facilmente percebidas pelas
pessoas acometidas, as lesões são representadas
pelos chamados condilomas (verrugas que parecem
couve-flor), popularmente conhecidas como
“crista de galo”. Podem, em alguma situações,
chegar a ser bem grandes.
O tipo de lesão, sua localização, bem como seu
tamanho, dependem dos tipos de vírus adquiridos.
A presença de uma verruga de grandes proporções,
por exemplo, não significa que a pessoa seja
portadora de um subtipo mais agressivo. Pelo
contrário, sabe-se hoje que a grande maioria das
lesões consideradas mais importantes são as
quase imperceptíveis. Nelas geralmente existem
os vírus que agridem as células com tanta
intensidade, que podem provocar o aparecimento
das lesões precursoras do câncer. |
Na mulher a localização é variada e pode acometer colo
do útero, vagina, vulva, períneo, ânus e reto. Quanto
aos sintomas, podem existir irritação, ardor durante a
relação sexual e às vezes um pouco de coceira. Por outro
lado, é muito freqüente a ausência de todos eles. Nesses
casos, a suspeita pode surgir durante a análise do exame
de Papanicolaou (prevenção do câncer no colo do útero),
que deve ser realizado pelo menos 1 vez por ano, quando
da consulta de rotina com o ginecologista. Nestas
situações é impositiva a complementação da pesquisa
através da vulvoscopia (exame em que se olha a vulva com
uma lupa) e da colposcopia (exame semelhante para
avaliação da vagina e do colo do útero). Havendo
confirmação, ou permanecendo a dúvida, é obrigatória a
retirada de um minúsculo fragmento de tecido (biópsia),
que será estudado com o auxílio do microscópio. O
próximo passo é a complementação do estudo com a
pesquisa específica dos tipos mais importantes,
utilizando-se os testes de hibridização ou da captura
híbrida, para detecção do seu DNA. O primeiro é um pouco
limitado pois somente diz se existe, ou não, algum dos
tipos mais agressivos. O segundo, além de oferecer esse
dado, determina a quantidade de vírus existente, o que é
importante em termos de acompanhamento da doença.
A contaminação pelo HPV acontece, mais freqüentemente,
através do contato sexual direto, de mucosa com mucosa.
Entretanto, nos anos 90, o brilhante cientista
fiorentino Maurizio Colafranceschi descreveu outras
possíveis formas de aquisição: roupas de pessoas
portadoras (inclusive lavadas), toalhas de banho,
lençóis e até sabonete. Essa importantíssima descoberta
explica a presença do HPV em pessoas que não tiveram
nenhum tipo de contato sexual! Por outro lado, não é
correto o conceito de que se adquire doenças sexualmente
transmissíveis só por freqüentar banheiros públicos.
Isto pode, eventualmente acontecer, quando se encosta a
mucosa em algum lugar que esteja contaminado.
Várias são as opções de tratamento, todas objetivando
tanto a remoção das lesões microcondilomatosas quanto
das condilomatosas. A Thuya (medicamento homeopático)
pode ser ingerida e/ou aplicada localmente pela
paciente, desde que numa dinamização adequada. Já, os
medicamentos da medicina tradicional que são
principalmente o ácido tricloroacético (ATA) e a solução
de podofilina, devem ser aplicados em consultório pois
podem levar a queimaduras importantes. Outras formas de
tratamento existentes, e que também exigem a atuação do
médico, são a cauterização com gelo seco ou corrente
elétrica de alta freqüência e a vaporização com o laser
(método mais adequado e difundido no Primeiro Mundo).
Caso a mulher esteja grávida, os métodos químicos (ATA e
podofilina) não devem ser utilizados.
O controle após o tratamento é de extrema importância,
uma vez que não existe HPV em um só local. É muito comum
sua presença em outros pontos, próximos às lesões
tratadas. Isso pode levar ao aparecimento de novos
focos, que também deverão ser eliminados. A
periodicidade com que os exames serão realizados será
determinada pelo ginecologista, de acordo com cada caso.
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Por fim,
gostaria de lembrar algumas coisas:
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Ainda não é
possível a erradicação completa do HPV (à
semelhança do que acontece com o herpes), sendo
comum sua recidiva. Isso pode acontecer
inclusive durante o período de tratamento. |
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O fato de uma
pessoa ser portadora dos tipos mais agressivos
não significa obrigatoriamente que ela
desenvolverá alguma lesão e muito menos que vai
ter câncer. |
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É fundamental
a avaliação médica do parceiro, pois é possível
que ele também seja portador do HPV. |
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É
indispensável o uso de camisinha desde o início
de um contato sexual, sobretudo se não for uma
relação antiga e/ou estável. |
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Durante o
tratamento com substâncias químicas (que às
vezes pode durar semanas ou meses), as relações
sexuais devem ser evitadas. |
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Nunca
experimentar biquinis e maiôs sem calcinha. |
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Às vezes pode
ocorrer a remissão espontânea das lesões, o que
acontece em função do trabalho incansável do
sistema imunológico. |
Reflexão:
Será que devemos ter tanto medo dos vírus? Apesar de
volta e meia adquirirmos algum tipo de infecção viral,
não podemos nos esquecer de que temos um Sistema
Imunológico extremamente complexo e competente, e que
vem sendo aprimorado ao longo de milhares e milhares de
anos. Por outro lado, é de conhecimento popular que
sempre que uma pessoa não está bem física, psíquica,
anímica ou espiritualmente, ela fica sujeita a doenças
(até bobas) como, por exemplo, a gripe. Isso significa
que sempre que não estivermos bem, estaremos menos
resguardados por nosso sistema imunológico. E isso é
comprovado cientificamente através da dosagem de
anticorpos no sangue!
É fundamental, portanto, que tentemos levar, na medida
do possível, uma vida saudável em todos os sentidos!
Desta forma estaremos contribuindo para que ele esteja
sempre a postos para nos defender, tanto de coisas sem
muita importância quanto de doenças altamente complexas.
Candidíase
Candidíase,
monilíase, ou popularmente sapinho, é uma das doenças
mais comuns que levam as mulheres a procurar os
consultórios de ginecologia. O nome é dado a doenças
causadas por uma série de fungos, sendo a Candida
albicans seu mais comum representante. Quando ela é
genital os sinais e sintomas mais freqüentes são
corrimento vaginal branco (nos casos mais intensos pode
ser verde e até cinza) acompanhado de irritação e uma
coceira na vulva (a parte externa dos genitais da
mulher) que às vezes chega a ser de-ses-pe-ra-do-ra!
Sim, porque é nesta região que a candidíase se manifesta
mais intensamente.
Os fungos normalmente existem em várias partes do corpo
(todo o tubo digestivo, vagina e pele), em toda e
qualquer idade e, se for mantido o equilíbrio com a
flora local que é composta por milhões de outros
microorganismos (além das nossas células de defesa), não
há qualquer manifestação física dos mesmos. Portanto, a
primeira coisa que podemos inferir em relação à
candidíase, é de que ela expressa um desequilíbrio em
nosso organismo, mostra que algo não está bem conosco.
Desta maneira, a forma de contágio não é
obrigatoriamente por contato sexual! Aliás, não é a mais
importante e tampouco a mais comum, mas sabemos que deve
haver algum desequilíbrio na capacidade de defesa na
pessoa “que recebe” esses fungos. A partir daí há
proliferação dos mesmos e conseqüentemente o
aparecimento dos sintomas! Em contrapartida, caso a
pessoa que os recebe esteja imunologicamente bem, existe
uma grande chance de não vir a sentir nada!
Por outro lado, seus sintomas e sinais também podem
estar presentes em quem não teve qualquer contato
sexual, o que referenda a hipótese de que existem outros
fatores que contribuem para seu desenvolvimento. Assim
sendo é muito interessante nós olharmos os fungos na
natureza para ver onde e em que condições eles aparecem,
pois isso nos permite entender uma série de fenômenos
que estão perto de nós e em nós! Por exemplo, observemos
onde aparece o mofo. Sim, porque o mofo é uma grande
“população” de fungos! Em termos ecológicos podemos
dizer que os locais quentinhos, úmidos e escuros são de
longe os mais propícios a abrigá-los, certo? Desta forma
se compararmos a vagina com o pênis chegamos à conclusão
de que a primeira é mais propícia a abrigar os fungos e,
portanto, que as mulheres estão realmente mais
suscetíveis à candidíase do que os homens.
Isto também se deve à presença de condições que chamamos
de predisponentes, ou seja, coisas que facilitam o
crescimento na população de fungos, entre as quais
podemos destacar o uso de pílula anticoncepcional,
diabetes e excesso de ingestão de açúcar (que aumentam a
acidez vaginal), calor intenso e roupa íntima de tecido
sintético (que esquenta demais a região) e por fim o
stress. É por isso mesmo que no verão há um aumento
enorme no número de mulheres com candidíase, sobretudo
no litoral, pois de uma hora para outra passam a usar
biquinis (tecido sintético) que freqüentemente ficam
molhados durante horas, em um ambiente com temperatura
muitas vezes superior em relação à que elas normalmente
vivem.
Um outro “jeito de olhar” a candidíase, que achamos
importante, é aquele que aprendemos ao longo da vida
profissional, conversando e cuidado da saúde das
mulheres. São coisas que não estão nos livros de
ginecologia e que tem relação com nosso dia a dia.
Dentre elas podemos citar que apresentam maior chance de
ter candidíase as mulheres que são, por exemplo, tensas
contidas. É, aquele tipo de pessoa que guarda todos os
problemas, aquela pessoa que “engole um sapo atrás do
outro” e que não os coloca para fora. Pois é, esta é uma
séria candidata, não só para ter candidíase, como também
para apresentar recidivas, mesmo após um tratamento
recente. Uma outra condição que favorece é a presença de
depressão. De maneira geral as pessoas deprimidas
apresentam queda na sua capacidade de defesa, o que as
torna vulneráveis a agentes como vírus, bactérias e
fungos. Por fim, ainda podemos citar as incontáveis
vezes em que pudemos constatar, junto com as mulheres,
que a provável causa da candidíase era uma crise no
relacionamento com o parceiro. Para muitas delas, a mais
remota possibilidade de uma relação sexual fazia com que
se sentissem extremamente mal. É realmente complicado
ter um encontro tão íntimo com alguém quando a relação
está ruim, certo? Pois bem, a presença da candidíase
(que deixa a vulva muito inchada e com pequenos cortes
que chegam a sangrar) seria uma forma de evitar uma
relação sexual. É como se o organismo estivesse se
defendendo de algo ruim! É como se o “sacrifício do
corpo” fosse uma forma de proteger o sentimento,
mantendo o homem à distância. E creiam, este é um
processo absolutamente inconsciente! Ninguém tem a
capacidade de determinar que “agora, como não estou bem
com meu parceiro, vou ter candidíase”. Isso não existe!
Quanto ao tratamento, há literalmente uma infinidade de
formas terapêuticas e de medicamentos à disposição do
médico. Eles vão desde os chás que podem ser usados em
lavagens com duchas ginecológicas até drogas
quimioterápicas fortes, a serem ingeridas por via oral.
Agora, se olharmos desta maneira mais ampla (e isso deve
ser feito sempre) dá para entender o motivo pelo qual
muitas vezes os tratamentos aparentemente não dão
resultado. Na verdade eles dão sim! O problema é que a
candidíase volta porque o alvo da terapêutica não foi a
causa, mas sim, somente, a conseqüência! Assim sendo,
fica difícil acabar com o problema! Há que se abordar as
duas coisas em conjunto, sempre!
Portanto, a candidíase muitas vezes pode ser muito mais
do que simplesmente uma doença ginecológica. Ela pode
expressar sim, muitas coisas que estão acontecendo
emocionalmente na vida da mulher e, portanto, ser uma
dica importante para que o médico possa ajudá-la também
a entender e superar certos obstáculos.
Endolaser
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