Cistos Normais do Ovário
Cistos Anormais do Ovário
Tensão Pré-Menstrual
Cólica Menstrual (Dismenorréia) 
Auto-Exame de Mama

HPV - Um vírus que preocupa
Candidiase

 

 

Cistos Normais no Ovário

Estou com cisto no ovário! E agora?

Pois é! Vocês já viram como as mulheres têm cistos nos ovários? O quê? Você tem e está assustada com isso? Mas será que é um tipo de cisto que pode ser problema ou é um daqueles que as mulheres "fabricam" normalmente todos os meses? Ah, você não sabia que isto acontece? Na maioria das vezes, a presença de um cisto nada mais significa do que uma correta atividade hormonal, uma adequação das atividades fisiológicas na mulher.
Mas qual será a forma que temos para avaliar se um cisto é ou não significativo em termos de doença? Bem, inicialmente devemos saber como é que as coisas funcionam fisiologicamente, ou seja, dentro dos padrões de normalidade. Vamos lá?

É preciso que comecemos de algum ponto e nada melhor do que o início de mais uma menstruação para fazer isso! No sentido de se falar a mesma linguagem em todo o mundo, convencionou-se que o primeiro dia da menstruação é o primeiro dia do ciclo. Lembremos ainda que, na mulher que apresenta seus ciclos menstruais regulares, existe toda uma atividade hormonal (cíclica) que dura, na maioria das vezes, 28 dias.

  Perto do 14º dia, ele tem cerca de 2 cm de diâmetro e, a partir da liberação em maior quantidade de um outro hormônio chamado LH (Hormônio Luteinizante - também produzido pela hipófise), ocorre a ruptura do folículo, com liberação do óvulo que deve ser captado pela trompa. Aliás, esse fenômeno pode ser acompanhado de uma sensação de peso e, às vezes, até de uma dor intensa no baixo ventre, a chamada "dor do meio" ou "dor ovulatória". Vale lembrar que, nos dias anteriores à ovulação, a vagina da mulher fica mais úmida, surgindo uma secreção igual à clara de ovo. Não raro, também pode ser percebido um pequeno sangramento no dia da ovulação. A partir daí, começa a segunda fase do ciclo, que termina com a menstruação seguinte.

Neste período, que vai do 14º ao 28º dia, novas alterações acontecem. A primeira, e uma das mais importantes, é a formação, horas depois da ovulação, de um novo cisto (amarelado) no mesmo local que o anterior, que é o chamado cisto de corpo lúteo (palavra derivada do latim, que significa amarelo), responsável pela produção da progesterona. E sabem o que ela faz? Caso a mulher engravide, é ela que "alimenta" o ovo (garantindo sua sobrevivência), até que ele se implante no útero e a placenta assuma esse papel. Se não engravidar, ela será a grande responsável pelos sinais e sintomas que aparecem na Síndrome da Tensão Pré-menstrual. Felizmente não são todas as mulheres que sofrem disso.

Algumas características são interessantes neste tipo de cisto: a primeira é que, muitas vezes, existe um sangramento dentro dele, fazendo com que contenha até pequenos coágulos. A segunda, é que seu diâmetro médio é maior que o do cisto folicular (ao redor de 3,5 cm, mas podendo chegar a 6 - 7 cm). Ora, em uma eventual avaliação ultrassonográfica no período pré-menstrual, mesmo que não exista qualquer sintoma, esse fato será motivo de muita apreensão! O interessante é que, via de regra, eles desaparecem com a menstruação seguinte. Esse é o motivo que nos leva a dizer que as mulheres devem evitar fazer esse tipo de exame fora do período compreendido entre o 6º e o 10º dia do ciclo, a menos que exista um motivo bem específico para isso!

Agora, vale lembrar uma outra coisa: sempre que a mulher ovula, e caso não engravide, ela necessariamente menstrua. Entretanto, o inverso não é verdadeiro: o fato de existir menstruação não garante que tenha havido ovulação! Aliás, por mais regulares que sejam os ciclos de uma mulher, em 1 ano ela deixa de ovular pelo menos 2 ou 3 vezes. Acontece que houve todo o estímulo para que isso ocorresse, ou seja, houve crescimento do folículo, sem ter havido rotura do mesmo. Nesse caso, há reabsorção do líquido que foi sendo acumulado nos primeiros 14 dias, só que não totalmente. O fim desse processo é a formação de uma "mini-bexiginha" conhecida como microcisto! É, você pode ter certeza: quase TODAS as mulheres têm microcistos e, portanto, eles são encontrados em quase todas as ultrassonografias. Efetivamente, somente em poucas situações é que isso pode ser um problema.

Ah, em tempo: não se esqueça de que, apesar de todas essas informações, você não deve deixar de ouvir a opinião de seu médico, que certamente saberá orientá-la sobre alguma alteração em seu exame ultrassonográfico.

Bem, vimos neste texto alguns aspectos dos cistos que são absolutamente normais. O próximo é sobre os cistos anormais, que devem receber mais atenção por parte das pessoas que os possuem, bem como de nós, médicos.
 
Marco Antonio Lenci

Reginaldo Guedes Coelho Lopes


Cistos Anormais dos Ovários

No artigo anterior foram abordados os cistos fisiológicos dos ovários, ou seja, os que naturalmente surgem e desaparecem durante o “mês menstrual”. Entretanto, alguns outros merecem especial atenção pois sua presença significa anormalidade.

Se você for portadora de um cisto considerado anormal é interessante saber duas coisas: a primeira é que o têrmo “tumor” deve ser entendido como uma palavra técnica que designa qualquer crescimento anômalo, não necessariamente associado a câncer. A segunda é que compreenda onde é que se enquadra o seu cisto, quais os tipos que existem e por quê devem ser acompanhados de perto e tratados. Para melhor compreensão, serão abordados separadamente.

Ovários policísticos - como já foi visto, um número enorme de mulheres têm microcistos, sem que isso seja um problema. Entretanto, caso esse número ultrapasse o considerado fisiológico, há um aumento global no tamanho dos ovários e concomitantemente uma maior dificuldade no processo de ovulação, com formação de mais microcistos. Vemos que acaba de se formar um ciclo vicioso e como consequência prática há variações hormonais que, por sua vez, determinam alterações físicas, como por exemplo: acne, aumento de pêlos, ganho de peso (ou dificuldade na perda) e irregularidades menstruais (ciclos mais longos e até ausência de menstruação). Em alguns casos, também pode haver infertilidade. A esse conjunto de alterações dá-se o nome de Síndrome dos Ovários Policísticos, que pode se apresentar em vários estágios de gravidade.

Cisto dermóide (ou teratoma) - é um tipo muito particular de cisto e um dos tumores benignos mais freqüentes. Ele surge a partir do desenvolvimento de células que restaram da fase embrionária da menina e que subitamente começam a se multiplicar. É como se elas acordassem de um longo período de hibernação, o que ocorre em torno da 2a – 4a década de vida. Ainda não se descobriu por quê, nem como isso acontece. Sabe-se, entretanto, que ele abriga vários tipos de estruturas como pêlos, tecido gorduroso, dente, pedaços de ossos e cartilagem. Como geralmente cresce na intimidade do ovário há, obrigatoriamente, uma distensão do mesmo. Ora, se isso não for bloqueado, o ovário acaba virando a própria “cobertura” do cisto, o que faz com que ele, enquanto órgão, praticamente desapareça! Além disso, o teratoma freqüentemente é bilateral e sua malignização ocorre em mais de 10% dos casos.

Endometrioma: é um cisto cujo conteúdo é formado por um líquido semelhante a chocolate derretido. É decorrente de uma doença chamada endometriose, na qual o tecido que reveste a parte interna do útero (e que é eliminado a cada menstruação), encontra-se localizado fora dele, neste caso, no ovário. Como o tecido endometrial é estimulado a se desenvolver através do hormônio feminino (estrógeno), o crescimento desse tipo de cisto tende a ocorrer mês após mês, podendo chegar, da mesma forma como acontece com o teratoma, a fazer com que o ovário praticamente desapareça, passando a existir somente o cisto.

Cistoadenoma: relativamente freqüente, é um cisto benigno que geralmente produz muito líquido e, muitas vezes, com um crescimento relativamente rápido, podendo chegar a ter 20-30 centímetros em poucos meses! Por este motivo, deve ser diagnosticado e tratado com certa brevidade.

Na maioria das vezes os cistos de ovário são “silenciosos”, ou seja, não dão nenhum tipo de sintoma ou sinal. Entretanto, algumas coisas podem sugerir sua presença:

  *Sensação de peso, inchaço ou dor no baixo ventre (em um ou ambos os lados).
  *Aumento do volume abdominal.
  *Dor durante a relação sexual.
  *Aumento de pêlos no rosto ou em qualquer outra parte do corpo (geralmente em locais em que habitualmente só os homens têm).
  *Dor aguda, severa, febre e/ou vômitos - quando relacionados com cisto de ovário, podem sinalizar a presença de hemorragia ou torção do órgão.

O diagnóstico pode ser feito com o exame físico, quando o médico avalia o tamanho dos ovários e/ou através da ultrassonografia. O último recurso utilizado para sua confirmação é a videolaparoscopia.

Finalmente há alguns aspectos a serem considerados, e que determinarão o tipo de tratamento:

  *Tamanho e tipo do cisto (são fatores determinantes na terapêutica).
  *Idade da mulher (se a mesma está em idade reprodutiva ou na menopausa).
  *Desejo de engravidar.
  *Estado geral de saúde.
  *Severidade dos sintomas.

Ao contrário do que acontece com os cistos fisiológicos, os acima relacionados não desaparecem e, portanto, requerem um tratamento específico, como é o caso dos microcistos, que muitas vezes regridem com medicação antroposófica, homeopática ou hormonal (pílula anticoncepcional). Já, o teratoma, o endometrioma e os cistoadenomas só podem ser tratados cirurgicamente e, sempre que possível, a via de acesso preferida é a endoscópica (videolaparoscopia). Quando diagnosticados precocemente, estes cistos não chegam a crescer a ponto de comprometer totalmente o ovário que, por ser um órgão de extrema importância, pode E DEVE ser conservado. Desta forma, será feita exclusivamente a retirada do cisto, preservando-se o tecido ovariano normal.

Marco Antonio Lenci

Reginaldo Guedes Coelho Lopes


Tensão Pré-Menstrual

ESSA TPM !!!!!!!!!!!!

Quantas mulheres não sofrem com a tal de TPM? O quê? Você não tem? Ah, mas talvez sua mãe, irmã, vizinha ou amiga tenham! Alguém deve ter! E você, meu caro, não será uma vítima de sua namorada, esposa e quem sabe até da chefe no trabalho? Pois é! O fato é que, de alguma forma, quase ninguém escapa dela!! E quantos desentendimentos, discussões, brigas e outras coisas desagradáveis já não terão acontecido em sua vida? Tudo por causa dela! As mudanças são tantas e tão expressivas que TODOS (homens e mulheres) são afetados por ela! Então, meu caro, preste atenção pois vamos falar com e para as mulheres! Quem sabe, você encontre alguma luz pra ajudar quem o vitima tanto: a TPM delas, claro!

A TPM (Síndrome de Tensão Pré-Menstrual) é um conjunto de sinais e sintomas (até hoje foram descritos mais de 150) que podem aparecer de 2 a 15 dias antes da menstruação e que provocam transformações significativas (tanto físicas quanto emocionais) em, aproximadamente, 70% das mulheres. Este número pode ser até maior, na medida em que muitas, por terem sintomas leves, não a identificam. A TPM foi descrita pela primeira vez em 1931 por um autor de nome Franke e, ao contrário do que se possa pensar, até hoje não há uma explicação satisfatória para seu aparecimento. A grande maioria das mulheres apresenta alterações leves, ou seja, tem os sintomas mínimos da TPM: ganho de peso (por retenção de líquido), inchaço e dor mamária, inquietude e instabilidade emocional. Outras manifestações incluem: desconforto abdominal (sensação de barriga inchada), dores de cabeça, calores no rosto, fadiga, alterações do sono e no hábito alimentar, diminuição da produtividade, redução da libido, depressão e ansiedade. Eles podem aparecer em combinações diversas, mas tendem a se manter constantes em cada pessoa, variando somente de intensidade a cada mês.

Paralelamente, um número menor de mulheres apresenta essas manifestações em graus bem mais intensos, havendo expressivas mudanças em seu físico, na sua rotina e, principalmente, em suas relações pessoais, tais como: alterações na balança (aumento de até 3 kg no peso), irritabilidade, raiva ou tristeza inexplicáveis, crises de choro, aumento do apetite (algumas têm desejo compulsivo de comer chocolate e/ou doces). Ainda, do ponto de vista comportamental, pode haver brigas no trânsito, no trabalho, na faculdade, espancamento de filhos, surras no marido e discussões com os vizinhos (apenas porque o papagaio deles fala demais!). Algumas, que estão com TPM, podem até estar xingando o médico que escreve este artigo! Suicídios e homicídios também aumentam nessa época. Para que se tenha uma idéia da importância que se dá à TPM, em alguns Estados americanos, as penas por crimes podem ser atenuadas, caso os mesmos tenham sido cometidos nesse período! Portanto, é prudente evitar decidir sobre coisas muito importantes, bem como tomar decisões "definitivas" e/ou radicais nessa época: pode ser que depois venha o arrependimento! O que intriga é saber que tudo isso passa, como se nada tivesse acontecido, com a simples vinda da menstruação! Isso tudo acontece por alterações bioquímicas no cérebro e não depende simplesmente da vontade das mulheres ter ou não ter TPM. A Medicina ainda tem que descobrir muita coisa a respeito dela.

Bem, mas e o tratamento??? Inicialmente deve existir um ótimo relacionamento com seu ginecologista, pois é ele quem poderá tentar ajudá-la encontrar formas de atenuar a TPM através de uma boa conversa e do esclarecimento de alguns pontos que a atormentam. Além disso, a adoção de algumas medidas a que chamamos de higieno-dietéticas são sugeridas: diminuição na ingestão de alimentos muito salgados para atenuação da retenção hídrica, bem como de doces. Também deve-se evitar a ingestão de de chá, café e bebidas à base de cola pois, nesses três grupos, há substâncias chamadas de metilxantinas (cafeína, teobromina e teofilina) que são comprovadamente excitantes. Atividades físicas sistemáticas, como ginástica aeróbica, natação, yoga, flamenco, dança do ventre e outras podem ser de grande valia.

Há, ainda, uma série de medicamentos, que poderão ser prescritos e que irão ajudá-la bastante! Os mais inócuos e que têm apresentado ótimos resultados são os homeopáticos. Caso não sejam os preferidos do seu ginecologista, ele poderá lançar mão de medicamentos alopáticos (os da medicina tradicional), que também apresentam bons resultados.

Por fim, gostariamos de deixar uma lembrança: uma das coisas mais importantes em relação a quem tem TPM é aceitar que ela existe! Dificilmente uma mulher que não admite que tem consegue livrar-se dela, ou atenuá-la! Além disso, essa aceitação facilita a compreensão por parte das pessoas com quem se relaciona, o que pode torná-las mais tolerantes. Para você que não tem, mas que convive com quem tem, saiba que TPM EXISTE SIM! É muito difícil passar por isso todos os meses e, particularmente as que têm alterações emocionais mais violentas não conseguem, muitas vezes, mesmo com toda consciência do mundo, controlar-se! Portanto, é de extrema importância que possamos considerar que "naqueles dias" a mulher seja vista com outros olhos, com muito mais compreensão, com muito mais carinho! O quê, você não é capaz? É sim, tente! É claro que nem sempre vai conseguir, mas certamente se sentirá bem em saber que, pelo menos, tentou!

Marco Antonio Lenci

Reginaldo Guedes Coelho Lopes


Cólica Menstrual (Dismenorréia)

Aááááí que cólica!!!!

Pôxa, como isso é ruim! Tenho mesmo que aguentar tudo de novo? Parece que, nem mal termina uma menstruação e... já começa outra!

Sim, essa é a sensação que muitas mulheres têm, principalmente quando, depois de passado quase um mês, desponta a ameaça de uma nova série de cólicas, anunciada pelos sintomas que antecedem a chegada de outra menstruação. Para POUCAS é motivo, até, de um charminho a mais. Porém, para a maioria que sente, a coisa pode pegar pesado mesmo! Como dizia vovó: "Felizes, são as que menstruam sem qualquer sintoma, com um discreto desconforto ou, no máximo, com uma coliquinha!"

Em linguagem médica, essa dor é chamada de dismenorréia, palavra derivada do grego, que significa "dificuldade no escoamento do fluxo menstrual". Atinge cerca de 50% das mulheres, das quais, no mínimo, 10% permanecem incapacitadas por alguns dias, a cada novo ciclo. Um dado que ilustra esses números foi proporcionado, em 1978, por dois autores, Ylikorkala e Dawood, quando publicaram que, somente nos Estados Unidos, eram perdidas, por ano, mais de 140 milhões de horas de trabalho, exclusivamente em função desse tipo de cólica. De acordo com estatísticas médicas atuais, a cólica acomete aproximadamente 42 milhões de americanas, sendo a maior responsável pelas ausências, tanto na escola quanto no trabalho.

Antigamente, por não se identificar uma causa física que justificasse a dor, havia uma tendência a não se considerar a cólica menstrual como algo que exigisse um tratamento específico. Mesmo as mulheres que apresentavam sintomas decorrentes das dores, tais como náuseas, vômitos, mal-estar e tonturas, eram aconselhadas a resignar-se, pois não havia nada a ser feito, exceto manter repouso, colocar uma bolsa de água quente na barriga e tomar um "remedinho". Talvez por ser muito freqüente, por não matar, e até por ser "coisa de mulher" (pasmem!), ainda hoje, há quem ache que as mulheres exageram! Algumas são até consideradas neuróticas por terem dores mais intensas.

Entretanto, a visão correta está a anos-luz de distância! Não se pode aceitar como normal algo que determina um permanente incômodo na alma de tantas mulheres, pois, em muitos casos, o medo da dor as persegue durante quase todo o tempo! Além disso, as pessoas que com elas convivem também terminam sofrendo, seja pela tristeza que sentem vendo-as se contorcer de dor, seja pela impotência em lidar com o medo que não as abandona! Isso tudo culmina, freqüentemente, com a deterioração da qualidade de vida pessoal, familiar e conjugal de muitas pessoas. Porém, para a felicidade de todos, estamos nos distanciando, cada vez mais, destes conceitos arcaicos e desumanos!

Classicamente, a dismenorréia é classificada em primária e secundária. A primeira habitualmente surge entre 6 e 12 meses depois da menarca (primeira menstruação), sem que exista uma doença específica que a justifique. A cólica aparece algumas horas antes ou coincide com a menstruação. Localiza-se no baixo-ventre, podendo irradiar-se para a região do osso sacro e face interna das coxas. Costuma ser mais intensa no primeiro dia, tem duração de, no máximo, 48 a 72 horas e origina-se pela presença de substâncias chamadas prostaglandinas (potentes estimulantes da contração uterina) que existem em grande quantidade nas células que são eliminadas no fluxo menstrual. Isso explica sua regressão lenta, porém contínua, na medida em que a menstruação vai terminando!

Por outro lado, a dismenorréia secundária começa mais tarde, no mínimo após 2 anos de fluxos indolores. Na verdade, ela é decorrente de alguma doença pélvica específica (nem sempre de fácil diagnóstico) e tende a apresentar um caráter de piora progressiva. Além de poder surgir alguns dias antes, durante ou depois da menstruação, as localizações são variadas, restritas ao baixo-ventre, muitas vezes com irradiação para as costas. Entre as possíveis doenças que podem determinar o surgimento da dismenorréia secundária, a endometriose é, em nosso tempo, a mais importante. Você poderá encontra mais explicações a respeito dela acessando o site http://www.endometriose.com.br

Muito bem, mas será que dá para acabar logo com essa dor? Deu até para entender um pouco, mas o importante mesmo é o tratamento, não é? Afinal de contas, ninguém quer ter cólica todos os meses, certo??? Assim sendo, continuemos!

Como tudo em medicina, o sucesso da terapêutica depende de um correto diagnóstico. Portanto, ofereça, SEMPRE, o máximo de informações a seu médico! Não tenha vergonha e anote em um papel algumas características da dor, tais como: quando surgiu, localização, duração, pontos de irradiação, fatores de melhora ou piora, sintomas que acompanham e medicamentos que já utilizou. Aliás, isso vale para qualquer tipo de dor, em todas as fases da vida!

Procure manter, continuamente, alguma atividade física que lhe ajude a refinar sua consciência corporal! Sabe-se que a sensação de dor é potencializada quando a pessoa adota uma atitude corporal incorreta, ou seja, quando se contrai. Portanto, tente relaxar fazendo repouso, se possível, numa banheira! Se não tiver, utilize uma bolsa de água quente! Manter o calor ajuda a relaxar qualquer tipo de musculatura, não é? A do útero responde da mesma forma! A partir daí, é possível entender o fato de que, para algumas mulheres, a dor pode piorar caso estejam com os pés e/ou pernas frios! E agora, que tal uma xícara de chá quente (erva doce, camomila, etc)? Caso essas medidas não sejam suficientes, o uso de medicamentos naturais poderá ajudá-la a resolver o problema, particularmente se a dismenorréia for primária. Se, mesmo depois de tudo isso, você não tiver se livrado "dela", seu médico poderá lhe sugerir um dos inúmeros recursos medicamentosos disponíveis na medicina alopática.

Por fim, gostaria de deixar uma sugestão: não aceite, placidamente, que cólica menstrual é "coisa de mulher", devendo ser suportada até a menopausa! Lembre-se que, além de existir a possibilidade de uma doença (por exemplo, a endometriose) não estar sendo diagnosticada, mais tarde, seguramente, você se questionará se não poderia ter tido uma qualidade de vida melhor!

Marco Antonio Lenci

Reginaldo Guedes Coelho Lopes


Auto-Exame de Mama

Eu tenho peito!!!!

Olá! Estamos aqui novamente para conversar mais um pouco com você. Neste artigo, vamos aderir à campanha de combate ao câncer de mama, e falar um pouco sobre o auto-exame, ainda um monstro na vida de muitas mulheres.

Inicialmente, devemos deixar bem claro que o câncer de mama TEM CURA! E tem mesmo, desde que seja diagnosticado precocemente! Mas, então, qual será a maior dificuldade que os médicos encontram para fazer o tal do... diagnóstico precoce? Não tenham dúvidas de que são a desinformação e, acima de tudo, o medo, certamente o maior responsável pelo diagnóstico tardio desta doença.

Não existe, ainda hoje, uma forma efetiva de se prevenir, ao contrário do que acontece com o colo do útero, a doença maligna da mama. Entretanto, a descoberta de um nódulo maligno em fase inicial significa uma chance de, no mínimo, 90% de cura, com preservação da mama. Portanto, a coisa mais importante a ser abordada neste texto é o problema do medo que as mulheres têm de se auto-examinar! Às vezes, fico espantado com a atitude de algumas que, ao serem incentivadas a aprendê-lo e mesmo sabendo que as mamas estão absolutamente normais, adotam uma expressão de aflição misturada com repulsa, negando-se a fazê-lo! Isso mostra o quanto é difícil mudar essa "herança cultural". Para que se tenha uma idéia, nos países do Primeiro Mundo, apenas 20% dos tumores chegam a 5 cm, ao passo que em nosso país, essa cifra chega a 70%, o que é verdadeiramente um absurdo! Um dado curioso é que essa dificuldade não tem relação com o nível sócio-econômico-cultural da mulher.

Importante lembrar que o fato de ter um antecedente familiar próximo de câncer de mama aumenta um pouco as chances mas, EM HIPÓTESE ALGUMA, condena a mulher a tê-lo um dia! Portanto, caso você faça parte do enorme contingente de mulheres que têm esse bloqueio, sugiro que tente se examinar! Procure conhecer como é sua mama! Faça uma "fotografia mental" de sua arquitetura, de sua textura. Peça a seu médico que a ensine a realizá-lo! É muito fácil! Não tem mistério, basta você querer!

Então... vamos à prática! Em primeiro lugar, saiba que você não deve se aventurar a executar o auto-exame em períodos pré-menstruais. Nessa época, na maioria das vezes, há uma retenção de líquido no tecido mamário, que muitas vezes dará a sensação de que você tem algum(s) nódulo(s). O momento mais adequado é entre o 7º e o 10º dia após o início da menstruação e o ideal é que você se habitue a fazê-lo mensalmente. Uma outra coisa interessante é fazer a palpação sempre com os olhos fechados: isso facilita muito que você se concentre mais naquilo que está tentando sentir.

Um hábito bastante saudável é examinar as mamas durante o banho pois, com o sabonete, fica mais fácil deslizar as mãos espalmadas sobre a pele, tornando mais simples a detecção de alterações, mesmo que mínimas. A pressão exercida deve ser pequena, já que isso permite que você tenha mais sensibilidade nas mãos. Lembrar que, ao fazer qualquer palpação mamária, a mão a ser utilizada é sempre a do lado oposto à mama que está sendo examinada!

Após o banho, fique de frente para um espelho, com o tronco descoberto. Você vai olhar atentamente e talvez perceber que suas mamas podem ser um pouco assimétricas, uma vez que isso é muito comum. Inclusive, em muitas mulheres, uma é um pouco maior que a outra. Em seguida, procure áreas mais inchadas ou retraídas, saliências e alteração na pele bem como nos mamilos. Proceda desta forma com os braços caídos e elevados.

Depois disso, deite-se, coloque um travesseiro sob o ombro esquerdo, ponha a mão esquerda acima da cabeça e, com a mão direita espalmada e os dedos esticados, examine sua mama esquerda. Os movimentos devem ser circulares, indo da periferia para o mamilo. Repita todos os passos (ao contrário) para examinar a mama direita.

Finalmente, faça uma pressão suave no mamilo com os dedos polegar e indicador. Se houver saída de 1 ou 2 gotas de líquido branco ou transparente, você não deve ficar preocupada, uma vez que isso é considerado normal. Entretanto, se a quantidade de secreção for superior a isso, ou for escura, seu médico deve ser informado prontamente.

Vamos lá!!! Tente!!!

Marco Antonio Lenci

Reginaldo Guedes Coelho Lopes

Colaboração: Sociedade Brasileira de Mastologia


HPV - Um vírus que preocupa!!!


Por ser, atualmente, uma das doenças mais freqüentes nos consultórios de ginecologia, resolvemos escrever sobre esta virose que está tirando o sono de muita gente, inclusive o dos ginecologistas. É possível que você já tenha lido algo a respeito, mas nunca faz mal recordarmos de coisas importantes, certo?

HPV significa papilomavírus humano. Ele pertence ao grupo dos Papovavírus, que são os responsáveis pelo aparecimento das verrugas de uma forma geral, em especial daquelas que vemos nas mãos de algumas crianças. Os estudos sobre os papilomavírus foram muito aprofundados nestas duas últimas décadas e até agora foram descritos mais de 75 subtipos, cada um com uma denominação diferente, feita através de números. É como se fosse uma família com setenta e tantos filhos. Sabemos que apesar de poderem ter tido a mesmíssima educação, numa família tão grande os irmãos acabam tendo personalidades diferentes: uns são mais agressivos, outros mais delicados, etc. Pois é, com os HPVs acontece o mesmo: existe uma diferença de comportamento entre eles, uma diferença na agressividade às células, o que, em síntese, determina sua maior ou menor importância. Em função disso optou-se por classificá-los em 3 grupos: os de Baixo, Médio e Alto Risco.
Acometendo cerca de 20 a 30% da população sexualmente ativa (e esses números são alarmantes), os papilomavírus podem se apresentar sob 3 formas de infecção:
 

1. Latente: os vírus ficam alojados nas células durante muitos anos, sem causar qualquer manifestação clínica. Nesses casos não é possível identificar sua presença nos exames de rotina, podendo-se detectá-los somente com testes específicos, através da pesquisa do seu DNA.
2. Subclínica: é o tipo mais freqüente de infecção. Existem minúsculas lesões (microcondilomas ou placas brancas), difíceis de serem vistas nos exames a olho nu. São visualizadas somente com o auxílio de lupas.
3. Infecção clínica: facilmente percebidas pelas pessoas acometidas, as lesões são representadas pelos chamados condilomas (verrugas que parecem couve-flor), popularmente conhecidas como “crista de galo”. Podem, em alguma situações, chegar a ser bem grandes.
O tipo de lesão, sua localização, bem como seu tamanho, dependem dos tipos de vírus adquiridos. A presença de uma verruga de grandes proporções, por exemplo, não significa que a pessoa seja portadora de um subtipo mais agressivo. Pelo contrário, sabe-se hoje que a grande maioria das lesões consideradas mais importantes são as quase imperceptíveis. Nelas geralmente existem os vírus que agridem as células com tanta intensidade, que podem provocar o aparecimento das lesões precursoras do câncer.


Na mulher a localização é variada e pode acometer colo do útero, vagina, vulva, períneo, ânus e reto. Quanto aos sintomas, podem existir irritação, ardor durante a relação sexual e às vezes um pouco de coceira. Por outro lado, é muito freqüente a ausência de todos eles. Nesses casos, a suspeita pode surgir durante a análise do exame de Papanicolaou (prevenção do câncer no colo do útero), que deve ser realizado pelo menos 1 vez por ano, quando da consulta de rotina com o ginecologista. Nestas situações é impositiva a complementação da pesquisa através da vulvoscopia (exame em que se olha a vulva com uma lupa) e da colposcopia (exame semelhante para avaliação da vagina e do colo do útero). Havendo confirmação, ou permanecendo a dúvida, é obrigatória a retirada de um minúsculo fragmento de tecido (biópsia), que será estudado com o auxílio do microscópio. O próximo passo é a complementação do estudo com a pesquisa específica dos tipos mais importantes, utilizando-se os testes de hibridização ou da captura híbrida, para detecção do seu DNA. O primeiro é um pouco limitado pois somente diz se existe, ou não, algum dos tipos mais agressivos. O segundo, além de oferecer esse dado, determina a quantidade de vírus existente, o que é importante em termos de acompanhamento da doença.
A contaminação pelo HPV acontece, mais freqüentemente, através do contato sexual direto, de mucosa com mucosa. Entretanto, nos anos 90, o brilhante cientista fiorentino Maurizio Colafranceschi descreveu outras possíveis formas de aquisição: roupas de pessoas portadoras (inclusive lavadas), toalhas de banho, lençóis e até sabonete. Essa importantíssima descoberta explica a presença do HPV em pessoas que não tiveram nenhum tipo de contato sexual! Por outro lado, não é correto o conceito de que se adquire doenças sexualmente transmissíveis só por freqüentar banheiros públicos. Isto pode, eventualmente acontecer, quando se encosta a mucosa em algum lugar que esteja contaminado.
Várias são as opções de tratamento, todas objetivando tanto a remoção das lesões microcondilomatosas quanto das condilomatosas. A Thuya (medicamento homeopático) pode ser ingerida e/ou aplicada localmente pela paciente, desde que numa dinamização adequada. Já, os medicamentos da medicina tradicional que são principalmente o ácido tricloroacético (ATA) e a solução de podofilina, devem ser aplicados em consultório pois podem levar a queimaduras importantes. Outras formas de tratamento existentes, e que também exigem a atuação do médico, são a cauterização com gelo seco ou corrente elétrica de alta freqüência e a vaporização com o laser (método mais adequado e difundido no Primeiro Mundo). Caso a mulher esteja grávida, os métodos químicos (ATA e podofilina) não devem ser utilizados.
O controle após o tratamento é de extrema importância, uma vez que não existe HPV em um só local. É muito comum sua presença em outros pontos, próximos às lesões tratadas. Isso pode levar ao aparecimento de novos focos, que também deverão ser eliminados. A periodicidade com que os exames serão realizados será determinada pelo ginecologista, de acordo com cada caso.

  Por fim, gostaria de lembrar algumas coisas:
 
Ainda não é possível a erradicação completa do HPV (à semelhança do que acontece com o herpes), sendo comum sua recidiva. Isso pode acontecer inclusive durante o período de tratamento.
O fato de uma pessoa ser portadora dos tipos mais agressivos não significa obrigatoriamente que ela desenvolverá alguma lesão e muito menos que vai ter câncer.
É fundamental a avaliação médica do parceiro, pois é possível que ele também seja portador do HPV.
É indispensável o uso de camisinha desde o início de um contato sexual, sobretudo se não for uma relação antiga e/ou estável.
Durante o tratamento com substâncias químicas (que às vezes pode durar semanas ou meses), as relações sexuais devem ser evitadas.
Nunca experimentar biquinis e maiôs sem calcinha.
Às vezes pode ocorrer a remissão espontânea das lesões, o que acontece em função do trabalho incansável do sistema imunológico.

Reflexão: Será que devemos ter tanto medo dos vírus? Apesar de volta e meia adquirirmos algum tipo de infecção viral, não podemos nos esquecer de que temos um Sistema Imunológico extremamente complexo e competente, e que vem sendo aprimorado ao longo de milhares e milhares de anos. Por outro lado, é de conhecimento popular que sempre que uma pessoa não está bem física, psíquica, anímica ou espiritualmente, ela fica sujeita a doenças (até bobas) como, por exemplo, a gripe. Isso significa que sempre que não estivermos bem, estaremos menos resguardados por nosso sistema imunológico. E isso é comprovado cientificamente através da dosagem de anticorpos no sangue!
É fundamental, portanto, que tentemos levar, na medida do possível, uma vida saudável em todos os sentidos! Desta forma estaremos contribuindo para que ele esteja sempre a postos para nos defender, tanto de coisas sem muita importância quanto de doenças altamente complexas.
 


Candidíase

Candidíase, monilíase, ou popularmente sapinho, é uma das doenças mais comuns que levam as mulheres a procurar os consultórios de ginecologia. O nome é dado a doenças causadas por uma série de fungos, sendo a Candida albicans seu mais comum representante. Quando ela é genital os sinais e sintomas mais freqüentes são corrimento vaginal branco (nos casos mais intensos pode ser verde e até cinza) acompanhado de irritação e uma coceira na vulva (a parte externa dos genitais da mulher) que às vezes chega a ser de-ses-pe-ra-do-ra! Sim, porque é nesta região que a candidíase se manifesta mais intensamente.

Os fungos normalmente existem em várias partes do corpo (todo o tubo digestivo, vagina e pele), em toda e qualquer idade e, se for mantido o equilíbrio com a flora local que é composta por milhões de outros microorganismos (além das nossas células de defesa), não há qualquer manifestação física dos mesmos. Portanto, a primeira coisa que podemos inferir em relação à candidíase, é de que ela expressa um desequilíbrio em nosso organismo, mostra que algo não está bem conosco.

Desta maneira, a forma de contágio não é obrigatoriamente por contato sexual! Aliás, não é a mais importante e tampouco a mais comum, mas sabemos que deve haver algum desequilíbrio na capacidade de defesa na pessoa “que recebe” esses fungos. A partir daí há proliferação dos mesmos e conseqüentemente o aparecimento dos sintomas! Em contrapartida, caso a pessoa que os recebe esteja imunologicamente bem, existe uma grande chance de não vir a sentir nada!

Por outro lado, seus sintomas e sinais também podem estar presentes em quem não teve qualquer contato sexual, o que referenda a hipótese de que existem outros fatores que contribuem para seu desenvolvimento. Assim sendo é muito interessante nós olharmos os fungos na natureza para ver onde e em que condições eles aparecem, pois isso nos permite entender uma série de fenômenos que estão perto de nós e em nós! Por exemplo, observemos onde aparece o mofo. Sim, porque o mofo é uma grande “população” de fungos! Em termos ecológicos podemos dizer que os locais quentinhos, úmidos e escuros são de longe os mais propícios a abrigá-los, certo? Desta forma se compararmos a vagina com o pênis chegamos à conclusão de que a primeira é mais propícia a abrigar os fungos e, portanto, que as mulheres estão realmente mais suscetíveis à candidíase do que os homens.

Isto também se deve à presença de condições que chamamos de predisponentes, ou seja, coisas que facilitam o crescimento na população de fungos, entre as quais podemos destacar o uso de pílula anticoncepcional, diabetes e excesso de ingestão de açúcar (que aumentam a acidez vaginal), calor intenso e roupa íntima de tecido sintético (que esquenta demais a região) e por fim o stress. É por isso mesmo que no verão há um aumento enorme no número de mulheres com candidíase, sobretudo no litoral, pois de uma hora para outra passam a usar biquinis (tecido sintético) que freqüentemente ficam molhados durante horas, em um ambiente com temperatura muitas vezes superior em relação à que elas normalmente vivem.

Um outro “jeito de olhar” a candidíase, que achamos importante, é aquele que aprendemos ao longo da vida profissional, conversando e cuidado da saúde das mulheres. São coisas que não estão nos livros de ginecologia e que tem relação com nosso dia a dia. Dentre elas podemos citar que apresentam maior chance de ter candidíase as mulheres que são, por exemplo, tensas contidas. É, aquele tipo de pessoa que guarda todos os problemas, aquela pessoa que “engole um sapo atrás do outro” e que não os coloca para fora. Pois é, esta é uma séria candidata, não só para ter candidíase, como também para apresentar recidivas, mesmo após um tratamento recente. Uma outra condição que favorece é a presença de depressão. De maneira geral as pessoas deprimidas apresentam queda na sua capacidade de defesa, o que as torna vulneráveis a agentes como vírus, bactérias e fungos. Por fim, ainda podemos citar as incontáveis vezes em que pudemos constatar, junto com as mulheres, que a provável causa da candidíase era uma crise no relacionamento com o parceiro. Para muitas delas, a mais remota possibilidade de uma relação sexual fazia com que se sentissem extremamente mal. É realmente complicado ter um encontro tão íntimo com alguém quando a relação está ruim, certo? Pois bem, a presença da candidíase (que deixa a vulva muito inchada e com pequenos cortes que chegam a sangrar) seria uma forma de evitar uma relação sexual. É como se o organismo estivesse se defendendo de algo ruim! É como se o “sacrifício do corpo” fosse uma forma de proteger o sentimento, mantendo o homem à distância. E creiam, este é um processo absolutamente inconsciente! Ninguém tem a capacidade de determinar que “agora, como não estou bem com meu parceiro, vou ter candidíase”. Isso não existe!

Quanto ao tratamento, há literalmente uma infinidade de formas terapêuticas e de medicamentos à disposição do médico. Eles vão desde os chás que podem ser usados em lavagens com duchas ginecológicas até drogas quimioterápicas fortes, a serem ingeridas por via oral. Agora, se olharmos desta maneira mais ampla (e isso deve ser feito sempre) dá para entender o motivo pelo qual muitas vezes os tratamentos aparentemente não dão resultado. Na verdade eles dão sim! O problema é que a candidíase volta porque o alvo da terapêutica não foi a causa, mas sim, somente, a conseqüência! Assim sendo, fica difícil acabar com o problema! Há que se abordar as duas coisas em conjunto, sempre!

Portanto, a candidíase muitas vezes pode ser muito mais do que simplesmente uma doença ginecológica. Ela pode expressar sim, muitas coisas que estão acontecendo emocionalmente na vida da mulher e, portanto, ser uma dica importante para que o médico possa ajudá-la também a entender e superar certos obstáculos.
 



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